Lei dos Compradores Presos em Chipre: Contexto Em 2015, o Parlamento em Chipre introduziu a Lei 139(Ι)/2015, comumente conhecida como a “Lei dos Compradores Presos” para abordar questões enfrentadas por compradores de imóveis que...
Em 2015, o Parlamento em Chipre introduziu a Lei 139(Ι)/2015, comumente conhecida como a “Lei dos Compradores Presos” para abordar questões enfrentadas por compradores de imóveis que não conseguiam obter escrituras para as propriedades que adquiriram, apesar de terem cumprido suas obrigações contratuais. Essa situação surgiu de várias complicações, incluindo a falha dos desenvolvedores em quitar hipotecas ou outras ônus sobre o terreno onde as propriedades foram construídas, deixando os compradores em uma posição difícil.
Sob a Lei dos Compradores Presos, os compradores presos poderiam apresentar um pedido ao Registro de Imóveis para transferir as escrituras. Se bem-sucedidos, conseguiram “contornar” o desenvolvedor e realizar a transferência das escrituras das propriedades que adquiriram para seus nomes.
Uma decisão recente do Tribunal de Apelação em Chipre, após um recurso de uma instituição bancária contra uma decisão de um tribunal inferior, tem implicações significativas para os compradores presos. O Tribunal concluiu que as disposições da Lei, que permitiam a transferência de escrituras para compradores apesar da existência de hipotecas, infringiam os direitos dos credores, ou seja, dos bancos. Essa decisão considera essas disposições inconstitucionais, enfatizando os direitos dos bancos de reter reivindicações sobre propriedades hipotecadas, mesmo que tenham sido vendidas a terceiros.
O caso envolveu um banco que havia concedido empréstimos a uma empresa de desenvolvimento e garantido esses empréstimos com hipotecas sobre terrenos destinados a futuras construções. Um comprador de terceiros adquiriu um apartamento a ser construído no terreno hipotecado e posteriormente solicitou ao Registro de Imóveis do Distrito a transferência da escritura para seu nome com base no fato de que cumpriu suas obrigações contratuais. O Banco contestou a decisão inicial do Registro de Imóveis em favor do comprador. O Registro de Imóveis do Distrito rejeitou a objeção do Banco, citando que a documentação necessária apoiava o pedido de transferência de título. No entanto, o Banco prosseguiu com uma ação legal, buscando anular a decisão do Registro de Imóveis e declarar a lei inconstitucional.
O Banco inicialmente contestou a decisão do Registro de Imóveis no Tribunal de Distrito e depois apelou ao Tribunal de Apelação, argumentando que a Lei era Inconstitucional.
O Tribunal de Apelação decidiu que certas cláusulas da Lei dos Compradores Presos são inconstitucionais. Essa decisão reconhece os direitos dos bancos de reter hipotecas e suas reivindicações sobre propriedades, mesmo que tenham sido vendidas a terceiros, ou seja, os compradores presos, apesar da existência de legislação destinada a proteger compradores que foram presos nessas circunstâncias.
Embora a decisão do Tribunal de Apelação não anule a “Lei dos Compradores Presos”, uma vez que se aplica apenas ao caso em questão, as autoridades suspenderam não apenas a continuidade da revisão dos pedidos já apresentados por compradores presos junto aos Departamentos de Registro de Imóveis do Distrito, mas também a aceitação de quaisquer novos pedidos.
Vale também mencionar que, uma vez que a Lei dos Compradores Presos continua em vigor, a decisão não afetará os casos em que as escrituras já foram transferidas para os compradores presos. No entanto, estabelece um precedente, e isso significa que afetará os casos pendentes nos Tribunais de Distrito.
Aumento da Incerteza Legal: Os compradores presos agora enfrentam uma incerteza aumentada em relação à propriedade de seus imóveis. A suspensão das revisões de pedidos e a aceitação de novos pedidos pelos Departamentos de Registro de Imóveis de cada Distrito significam que compradores que cumpriram suas obrigações contratuais ainda podem não conseguir obter escrituras devido a hipotecas existentes.
Resposta Parlamentar: O Parlamento precisará considerar medidas legislativas alternativas ou emendas para abordar as questões constitucionais destacadas pelo Tribunal. Isso pode envolver a redação de novas leis para garantir a proteção equilibrada dos compradores presos, ao mesmo tempo em que se respeitam os direitos constitucionais dos credores.
Impacto no Mercado: A incerteza e as complicações legais decorrentes dessa decisão podem afetar o mercado imobiliário em Chipre. Compradores potenciais podem hesitar em investir em propriedades sem processos claros de escrituras, potencialmente desacelerando o mercado.
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A recente decisão do Tribunal de Apelação e a decisão das autoridades de parar a revisão dos pedidos existentes e aceitar quaisquer novos pedidos representam um retrocesso significativo para a proteção dos compradores presos em Chipre. Embora o Governo tenha promulgado legislação para salvaguardar os compradores, o Tribunal de Apelação ficou ao lado do Banco.
O Parlamento deve agir rapidamente para abordar essas questões constitucionais e encontrar uma solução justa que proteja compradores e credores.
Aqueles que estão considerando comprar ou vender uma propriedade em Chipre são aconselhados a buscar aconselhamento jurídico independente e considerar as circunstâncias específicas de cada caso para garantir um processo eficiente e tranquilo e proteger seus interesses financeiros.

Managing Partner
Managing Partner with a distinguished career in corporate and commercial law, trust law, tax law, property law, litigation, and immigration law. First-Class LL.B. from the University of Leicester and LL.M. from the University of Cambridge.
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